Rei Abdullah, da Arábia Saudita, morre aos 90 anos
O rei Abdullah, da Arábia Saudita, morreu nesta sexta-feira (23) aos 90 anos de idade, segundo um comunicado emitido pelo Palácio Real do país e divulgado pela rede pública de televisão. Ele estava internado desde o mês de dezembro em um hospital da capital, Riad, devido a uma pneumonia e morreu à 1h da manhã. O príncipe Salman, de 79 anos, vai sucedê-lo e já designou o meio irmão de Abdullah, Moukrine, como príncipe herdeiro. Seu nome deverá ser aprovado por um conselho reunindo membros da família real.
Abdullah bin Abdelaziz assumiu o trono da Arábia Saudita em 2005, com a morte do rei Fahd. Mas ele já dirigia de fato o país desde 1996, devido à saúde frágil de seu meio-irmão.
Fim da guerra no Líbano
Abdullah é considerado um dos responsáveis pelo acordo que pôs fim à guerra no Líbano em 1980. Ele contribuiu para uma reaproximação com o Irã durante a presidência de Mohamad Khatami. O monarca também teve papel importante no apoio ao governo do Egito, após a volta dos militares ao poder, e aos rebeldes sírios que lutam contra o regime de Bashar al-Assad.
No plano interno, o rei Abdullah promoveu reformas consideradas "prudentes", como a ampliação do direito das mulheres e as eleições para instâncias locais.
Funeral reúne chefes de Estado
O funeral do rei Abdullah bin Abdelaziz vai acontecer nesta sexta-feira com a presença de vários líderes muçulmanos como o presidente do Egito, o general Abdel Fattah al Sissi, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o rei da Jordânia, Abadallah, que já deixou Forum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), para prestigiar o funeral.
Outros países não muçulmanos já foram orientados a expressar condolências. Segundo a tradição na Arábia Saudita, grandes manifestações de luto são proibidas. O corpo do rei será levado pelos seus familiares até a mesquita. Depois das orações do rei, Salman, Abdullah será enterrado no cemitério em um túmulo anônimo.
O presidente norte-americano foi um dos primeiros líderes a reagir. Barack Obama se referiu ao rei Abdullah como um "amigo que contribuiu para as relações entre os dois países".
Política petrolífera
A Agência Internacional de Energia afirmou que a morte do rei Abdullah não deverá provocar uma mudança significativa da política petrolífera da Arábia Saudita, maior exportador mundial do produto. À margem do Forum Econômico Mundial, o economista chefe da Agência, Fatih Birol, disse esperar que o país continue a contribuir com a estabilidade nos mercados. Apesar da queda dos preços do barril, a Arábia Saudita se recusou até agora a diminuir sua produção, contribuindo para manter a grande oferta no mercado e os preços em baixa.
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