O chador é um traje persa antigo, cujo uso é documentado desde o século XVIII, e se popularizou no Irã na época da Dinastia Qājār. O monarca Reza Shah proibiu o seu uso em 1936, em meio ao processo de ocidentalização forçada do país. Com a Revolução Islâmica de 1979, o chador foi encorajado pelas autoridades xiitas, por ser uma vestimenta tradicional que se enquadra nas recomendações da doutrina islâmica ortodoxa, apesar de não ser usado apenas pelas muçulmanas, mas também por mulheres de outras comunidades religiosas iranianas, como as zoroastrianas. Sua cor mais comum é o negro, mas ele pode ser confeccionado em outras tonalidades inclusive com estampas.
A clássica burqa iraniana, que é bem diferente da usada pelas mulheres do Afeganistão, consiste em uma combinação de chador, mais um véu cobrindo completamente o rosto e um acessório conhecido como borgh, espécie de máscara que cobre todo o rosto.
E finalmente temos o manteau, mais conhecido como o estilo urbano, que é uma combinação moderna de lenço na cabeça mais o manteau propriamente dito, que é um vestido mais moderno (cujo comprimento mais tolerável pelas normas islâmicas é cobrindo até os joelhos), usado com calça ou saia comprida por baixo.
Diferenças entre as burqas usada pelas mulheres do Afeganistão (esq.) e do sul do Irã (dir.)
O manteau, ou estilo urbano das mulheres do Irã
Nos últimos tempos as tendências do hijab no Irã, ganharam termos específicos sendo os dois mais comuns:1 - Bad hejab: que significa "hejab solto", considerado incorreto dentro do ponto de vista islâmico! Geralmente indica aquele tipo em que o lenço é usado muito solto mal cobrindo a cabeça e/ou um manteau muito curto ou apertado. Na verdade, uma forma de protesto contro o uso obrigatório o hejab.
2 - Bi-hejab: significa "sem hejab" isso mesmo, não usar o hijab! Curiosamente na década de 1980 e início de 1990, o termo Bi-hejab foi usado para as mulheres bad hejab ! Antes dos Revolução Islâmica, a taxa de mulheres bi-hejab mal chegava a 25%. Mas nos últimos anos, a taxa de mulheres que abririam mão voluntariamente do hejab aumentou, e agora mais de 50% das mulheres iranianas, especialmente as com idade inferior a 35, se tivessem opção não usariam o véu.
Apesar de a França ter proibido recentemente o uso da burqa, no Irã, ela entrou em desuso já nos tempos de Reza Shah. O véu que cobre o rosto é considerado muito radical para os padrões do Irã. Agora apenas algumas centenas mulheres no sul do Irã, ou seja, nas áreas árabes conhecidas como bandaris, usam a burqa. E conforme vêm sido observado, parece que os dias do chador também estão contados. As mulheres iranianas buscam seus direitos iguais, e isso significa igualdade também na escolha dos trajes. Passados mais de 30 anos da revolução, as regras tem sido largamente desobedecidas, apesar dos choques com a famigerada polícia da moralidade (basijs).
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| Mulheres detidas pelos basijs, por não usarem o hijab de acordo com as normas |
* Nota do blog: Em persa a pronúncia é hejab, mas o significado é o mesmo do árabehijab, "cobertura" ou "véu", mais precisamente o termo designa uma conduta de pureza e modéstia na religião islâmica. Por isso tomei a liberdade de usar ambas as pronúncias no texto.
Fonte: Blog Chá de Lima da Pérsia







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